Seomara da Costa Primo

Comenta, Critica, Sugere...

terça-feira, 23 de Outubro de 2007

As Ciências Sociais e o Fenómeno Social Total.


As ciências sociais e o fenómeno social total:

Convém lembrar que há uma concepção errónea mas persistente, segundo a qual as ciências sociais estudariam realidades distintas, ou sectores distintos, compartimentados, da realidade — as diferenças analíticas proviriam de diferenças entre objectos reais. Tal concepção há muito que vem sendo ultrapassada pelos especialistas. Já no século XIX, um Comte ou um Marx alertavam para que, por exemplo, os fenómenos económicos são também sociais e políticos. Porém, a contribuição sistemática mais relevante, aquela a que hoje recorremos, pertenceu, na década de 1920-30, a Marcel Mauss.
Com o conceito de "fenómeno social total", ele estabeleceu dois princípios. Qualquer facto, quer ocorra em sociedades arcaicas quer em modernas, é sempre complexo e pluridimensional; pode, pois, ser apreendido a partir de ângulos distintos, acentuando cada um destes apenas certas dimensões. Todo o comportamento remete para e só se toma compreensível dentro de uma totalidade
, quer dizer: constelações compósitas de recursos, representações, acções e instituições sociais intervêm nas mais elementares relações entre pessoas.
A economia, a psicologia ou a sociologia distinguem-se, não porque na realidade haja factos exclusivamente económicos, psicológicos ou sociológicos, mas porque partem de perspectivas teóricas distintas e constroem distintos objectos científicos (os quais, como já vimos, são sempre de natureza abstracto-formal, embora mais ou menos especificados). Não se nega que algumas disciplinas tendam a privilegiar domínios reais diversos — as sociedades que os historiadores e os antropólogos mais estudam são realmente diferentes das que a generalidade dos sociólogos têm focado. Mas isso é secundário em relação ao vector principal de diferenciação — que é de ordem conceptual, que radica na diversidade das ópticas de análise seguidas.
É capital perceber que o económico, o político ou o simbólico não constituem compartimentos estanques — são dimensões inerentes a toda a acção social, estão nela profundamente interligadas. Se designamos certas formas de conduta por económicas, outras por políticas, outras por simbólicas, não é porque umas sejam na realidade exclusivamente económicas, outras políticas e outras simbólicas — pelo contrário, a acção humana, tomada na sua intrínseca complexidade, é ao mesmo tempo económica, política e simbólica; se designamos, pois, certas formas de conduta por económicas, fazemo-lo em virtude de uma classificação/selecção intelectual nossa, a qual privilegia certas dimensões, certos aspectos, em detrimento dos restantes, em função da perspectiva que adoptamos (e que tem, no caso, correspondência na grelha analítica própria da ciência económica).
Só assim compreendemos porque são tão precárias e flutuantes as fronteiras entre várias disciplinas — falando em termos gerais, elas perspectivam, de diferentes maneiras, a mesma realidade; e é precisamente por esta ser muito complexa que se faz mister, para torná-la inteligível, multiplicar (e cruzar) prismas, princípios e instrumentos teórico-metodológicos.
Torna-se agora necessário esclarecer que a palavra "perspectiva" é aqui usada em sentido amplo. Dizer que cada ciência social perspectiva de forma específica a realidade e por isso se distingue das demais é dizer que cada ciência, pelo menos tendencialmente: a) elabora o seu próprio conjunto articulado de questões — a sua problemática teórica — e define o seu objecto científico; b) determina um certo número de problemas de investigação centrais no contexto dessa problemática; c) constrói conjuntos de princípios, teorias, estratégias metódicas e resultados cruciais que servem de modelo ou quadro orientador às pesquisas produzidas na sua área — os paradigmas.

Silva, A. e Pinto, J. (2001). Uma visão global sobre as ciências sociais. In Silva, A. e Pinto, J. (Orgs). Metodologia das ciências sociais, 11.ª ed. Porto: Edições Afrontamento, pp. 17-18.
___________________________________________________
Reconhecer a complexidade da realidade social:

O social é um todo, englobando diferentes tipos de relacionamento que os homens desenvolvem entre si, entre o mundo que os circunda e entre os artefactos que produzem. Logo o real social tem uma série de dimensões que tanto podem interessar à Economia como à Geografia por serem tão complexas e envolverem tantas interacções.
O facto de as CS estudarem a realidade social não significa que esta se possa dividir em campos distintos ou que os fenómenos sociais se possam separar, pelo contrário, a realidade social é una e indivisível – unidade do social.

Compreender que todo o fenómeno social é total:

Os fenómenos sociais resultam das acções dos indivíduos, as quais se desdobram em práticas materiais e simbólicas, relações com a Natureza e relações com os outros homens. Por outro lado, nenhum fenómeno pode ser explicado isoladamente, separado dos fenómenos que o circundam, das condições que o rodeiam e a que está ligado (por exemplo se separarmos o oxigénio do hidrogénio estes não explicam as propriedades da água). Desta maneira também é impossível apreender o significado de um facto social isolado ou reintegrado, num contexto limitado a esta ou aquela actividade social determinada.

Sem comentários:

Racismo.

Racismo - Trabalho realizado pela Ritinha - Rita Mendes - 12º 3.

Antonio Valdez Entrevista Edite Rosario.mp3

Dia do Professor

Parabéns António Valdez!

Parabéns António Valdez!
in: "Jornal da Região", de 9 a 15 de Outubro de 2007.

SOCIOLOGIA - Vídeos no youtube.